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O sal da história

Crónicas da história. Aventuras, curiosidades, insólitos, ligações improváveis... Heróis, vilões, vítimas e cidadãos comuns, aqui transformados em protagonistas de outros tempos.

O sal da história

Crónicas da história. Aventuras, curiosidades, insólitos, ligações improváveis... Heróis, vilões, vítimas e cidadãos comuns, aqui transformados em protagonistas de outros tempos.

(15) Instantâneos: as costureirinhas de Lisboa

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Elegantes, arranjadas, educadas. Muito à semelhança das senhoras que servem e embelezam, de segunda a sábado, das oito da manhã, às oito da noite, apenas com uma hora de intervalo para o “lunch”. São assim as costureirinhas lisboetas no despontar da República, para cuja imagem serviram de inspiraçao.*

0002_M.jpgMais seguras de si, independentes, longe da antiga imagem da profissão, que as fazia pobres, modestas, assustadiças, receosas dos olhares alheios e sempre com a mãe atrás, como garante da virtude.

Diz a “Illustração Portugueza”, em agosto de 1912, que esses tempos já tinham passado. Esta nova geração de profissionais continua a viver em lares humildes, longe do luxo que ajuda a criar, no Chiado ou na Baixa, mas já pode aspirar a, um dia, estabelecer-se por conta própria ou ocupar-se num grande “atelier”: ser mais artista que operária.

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Esses privilégios, claro, não estão ao alcance de todas, e são já aos milhares**, contribuindo para que a Lisboa feminina se vista como as outras capitais europeias, seguindo as grandes modas do momento, acompanhando essa voracidade, essa necessidade repetida de renovar o guarda-roupa, de mandar fazer mais um chapéu ou um par de sapatos, de encomendar mais um vestido, de comprar mais um lenço…

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As costureirinhas sabem cativar, percebem como se prende a cliente ao seu engenho. E, se no dia-a-dia optam pela mais prática e robusta indumentária, sabem, ainda, usar as suas aptidões para, ao domingo, também elas se apresentarem como damas, pois que os seus dedos hábeis e muita astúcia transformam tecidos singelos em peças que fazem inveja às menos experientes e orgulhosamente ajudam a publicitar o seu talento.

 

 

 

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*Hilda Puga, que serviu de modelo ao primeiro busto da República Portuguesa, trabalhava, à época, como costureira.

**Entre 1890 e 1914 (início da I Grande Guerra), houve uma enorme expansão das profissões de modista e de costureira em Portugal, particularmente em Lisboa, motivada pelo maior acesso e divulgação da moda e um pouco à semelhança do que tinha acontecido em França, cujas profissionais deste ramo eram um exemplo a seguir. Foi neste período que surgiram as primeiras associações de classe.

 

 

Fontes

Hmeroteca Municipal de Lisboa

http://hemerotecadigital.cm-lisboa.pt/

Illustração Portugueza

Nº 338 – 12 ago. 1912

 

Arquivo Fotográfico Municipal de Lisboa

http://arquivomunicipal.cm-lisboa.pt/pt/

Joshua Benoliel

PT/AMLSB/CMLSBAH/PCSP/004/JBN/001110

 

PT/AMLSB/CMLSBAH/PCSP/004/JBN/001109

 

http://docplayer.com.br/39388216-Costureiras-de-lisboa-artesas-da-moda.html#show_full_text

História Costureiras de Lisboa: Artesãs da Moda - Carla Marina Machado Ferreira - ISCTE Instituto Universitário de Lisboa, Setembro, 2014.

 

http://expresso.sapo.pt/sociedade/2016-10-05-A-mulher-invulgar-que-deu-o-rosto-a-Republica#gs.oIdtg2k

 

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