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O sal da história

Crónicas da história. Aventuras, curiosidades, insólitos, ligações improváveis... Heróis, vilões, vítimas e cidadãos comuns, aqui transformados em protagonistas de outros tempos.

O sal da história

Crónicas da história. Aventuras, curiosidades, insólitos, ligações improváveis... Heróis, vilões, vítimas e cidadãos comuns, aqui transformados em protagonistas de outros tempos.

(8) Pela imprensa: Um motor car para quem quer dar nas vistas

jordan motor car 2.JPG

 

Um carro mais desejado por ser bonito, do que por ser rápido, económico ou seguro. Mais impressionante pelos títulos dos seus modelos, que pelo desempenho dos seus motores. Assim eram os "Jordan", produzidos por uma marca norte-americana que apenas resistiu 15 anos e foi criada, não surpreendentemente, por um publicitário que resolveu arriscar na indústria automóvel.
Enquanto que as marcas tradicionais se limitavam a uma cor, os "Jordan" eram produzidos em várias conjugações de atrativas tonalidades – *vermelho apache, vermelho Mercedes e vermelho selvagem; cinza areia do oceano, verde veneziano e verde Briarcliff; bronze egípcio, azul liberdade, azul chinês… e o esquema de cores mais extravagante, o cinzento-submarino, com topo caqui e rodas cor-de-laranja.
Obviamente, os veículos destinavam-se a quem tinha opções estéticas que fugiam à rotina ou simplesmente pretendia dar nas vistas. Não é de estranhar que os modelos tivessem públicos-alvo bem definidos, caso do Sport Marine, anunciado como um carro para mulheres, e o Playboy Jordan, que dispensa apresentações.
A publicidade compunha o resto do ramalhete, em especial nos Estados Unidos, com paisagens estonteantes, belas e sofisticadas mulheres; homens atléticos e sedutores em busca do seu destino. Ilustrações artísticas, textos com pretensões literárias…
O forte dos "Jordan" era, pois, a imagem, não o conteúdo. A começar, porque a marca propriamente dita não produzia nada, só montava peças com proveniências diversas – na época, algo inovador mas, por isso, com compatibilidades difíceis de resolver.
Estava instalada em Cleveland, junto à linha de caminho-de-ferro, algo extremamente vantajoso, tanto para a chegada dos componentes, como para o escoamento das viaturas.
O golpe final na Jordan Motor Car Company foi o lançamento do modelo compacto de luxo Little Custom (1927), cujos altos custos e poucos ganhos culminaram com a venda da companhia, que viria a encerrar em 1931.
Em Portugal, o representante da marca – e de outras norte-americanas – era Carlos Rebello da Silva, instalado no nº 17 do largo da Anunciada, ali na ligação entre a avenida da Liberdade e a rua Portas de Santo Antão, em Lisboa, que anunciava os "Jordan", como os carros mais luxuosos da América.
Curiosamente, já em 2018, houve um relançamento, com o fabrico de reproduções dos singulares modelos antigos da “Jordan”.

jordan ingles.JPG

 

Fontes
Hemeroteca Digital de Lisboa

http://hemerotecadigital.cm-lisboa.pt/
Illustração Portugueza
2ª série, nº 727 – 26 jan. 1920

https://en.wikipedia.org/wiki/Jordan_Motor_Car_Company

https://www.hemmings.com/magazine/hcc/2011/02/The-Jordan-Playboy/3695921.html

 

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