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O sal da história

Crónicas da história. Aventuras, curiosidades, insólitos, ligações improváveis... Heróis, vilões, vítimas e cidadãos comuns, aqui transformados em protagonistas de outros tempos.

O sal da história

Crónicas da história. Aventuras, curiosidades, insólitos, ligações improváveis... Heróis, vilões, vítimas e cidadãos comuns, aqui transformados em protagonistas de outros tempos.

Heróis do acaso (1): a nadadora da Margueira

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Isabel da Conceição Martins, 18 anos. Esta jovem sairia do anonimato durante uns meses, no final de 1890, por ter salvo das águas do Tejo um cabo da Guarda Fiscal e cinco crianças que, com ele, se andavam banhando na zona da Margueira (Almada). O ato foi de tal forma apreciado, que a rapariga recebeu das mãos dos reis de Portugal uma condecoração e um prémio monetário.
A história conta-se em poucas palavras, porque a coragem não se explica, vê-se nas atitudes.
O cabo Albano Queiroz Mesquita encontrava-se num bote com cinco crianças, brincando na água. À passagem de uma fragata, estando o adulto a banhos, a embarcação com os menores afastou-se e o cabo ficou em risco de afogamento. Na margem, Isabel observava tudo e, sem hesitar, atirou-se à água, pôs Albano a salvo e, com desenvoltas braçadas, alcançou o bote, travando a sua deriva, que poderia ter terminado com a perda de vida dos ocupantes.
Isabel, conhecida na vizinhança como ágil e ousada nadadora, salvou assim seis pessoas. Do ato houve numerosas testemunhas – na época, aquela área do rio vibrava de atividade, da pesca ao transporte de pessoas e mercadorias entre as margens – curiosamente não se tendo registado outra qualquer tentativa de salvamento por parte de quem assistiu.
O feito chegaria aos ouvidos de D. Carlos e de D. Amélia de Orleãs que, no Paço de Belém, em 1 de novembro do mesmo ano, colocaram no peito da intrépida jovem uma medalha de prata e puseram nas suas mãos o diploma justificativo da distinção por mérito filantropia e humanidade
A mando dos reis, foi-lhe igualmente entregue a quantia de 50$00.
Soube-se mais tarde que Isabel tinha, com aquele dinheiro, comprado um relógio em ouro e uns brincos. O restante terá sido empregue na aquisição de roupa branca, de que a sua família carecia.
Durante meses, gente das redondezas deslocava-se à modesta casa onde morava com os pais para escutar da sua boca a história do salvamento e poder ver e tocar na condecoração.

E depois...nunca mais se ouviu falar desta heroina do acaso.

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Fontes
Biblioteca Nacional Digital
www.purl.pt
Diário Illustrado
19º ano, nº 6:321 - 6 nov. 1890

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