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O sal da história

Crónicas da história. Aventuras, curiosidades, insólitos, ligações improváveis... Heróis, vilões, vítimas e cidadãos comuns, aqui transformados em protagonistas de outros tempos.

O sal da história

Crónicas da história. Aventuras, curiosidades, insólitos, ligações improváveis... Heróis, vilões, vítimas e cidadãos comuns, aqui transformados em protagonistas de outros tempos.

( I) Ainda…o naufrágio do Ville de Victória: a carta molhada entregue a Roberto Ivens

 

 

Capturar ville de victoria.JPG

 

Dois dos naufragos do vapor francês Ville de Victória, que triste e inesperadamente se afundou frente a Lisboa na madrugada de 24 de dezembro de 1886, conseguiram chegar com vida até à margem. Provavelmente foram arrastados pela corrente e alcançaram terra já na zona do Dafundo, acabando por morrer na praia, aos pés do conhecido explorador Roberto Ivens. A história é contada pela imprensa, revelando-se que um dos homens trazia na mão uma carta, que estaria a escrever às quatro da madrugada, a hora fatal em que o navio iniciou o mergulho eterno para as produndezas. Roberto Ivens encontrar-se-ía no areal, local onde, na época, orientava a construção daquela que seria a sua casa - um soberbo challet ainda ali existente - e chamou a si a missão de encontrar a destinatária da missiva escrita em francês. Tratava-se de uma senhora, residente em Finisterra, na Galiza.

Roberto_Ivens.jpg

 

Não sabemos se a tão sofrida carta – salva das águas pelo moribundo que a transportava - seria uma mensagem de amor, mas acreditamos que sim. Tomamos por certo também que Roberto Ivens, com a tenacidade e perseverança que, um ano antes, lhe tinham sido publicamente reconhecidas quando também ele desembarcou no Tejo - vindo da exploração das possessões portuguesas em África - conseguiu levar a epistola ao seu destino. Preferimos acreditar, porque esse fim empresta uma nota muito mais romântica a este chocante acidente marítimo.

Há apenas uma boa notícia – ainda que com uma ponta de ironia – no relato do singular naufrágio do Ville de Victória: a história do alemão Schneider. Ciente que o Ville de Victória só zarparia de manhã, preferiu hospedar-se em terra em vez de ficar a bordo. Salvou-se, mas, tal como os outros (poucos) sobreviventes, perdeu os seus pertences, porque durante a noite deflagrou um incêndio no hotel Franckfort, onde dormia.

Roberto_Ivens[2].jpgRoberto Ivens morreria onze anos depois, na Casa do Cedro, na mesma praia e, quem sabe (?), olhando o Tejo…o mesmo rio onde onde ainda repousam os destroços do Ville de Victória, não muito longe do caça-minas batizado em homenagem ao explorador, afundado em 1917 após embater numa mina alemã que tirou a vida a 15 dos 22 tripulantes.

 

 

 

Conheça toda a história do naufrágio do Ville de Victória aqui.

 

Fontes

 

Biblioteca Nacional Digital

http://purl.pt

Diário Illustrado

15º ano, nº 4:911 - 25 dezembro 1886

15º ano, nº 4:914 - 28 dezembro 1886

15º ano, nº 4:915 - 29 dezembro 1886

15º ano, nº 4:916 - 30 dezembro 1886

15º ano, nº 4:915 - 31 dezembro 1886

16º ano, nº 4:916 - 2 janeiro 1887

https://24.sapo.pt/atualidade/artigos/roberto-ivens-100-anos-do-naufragio-do-caca-minas-a-entrada-de-lisboa

http://www.momentosdehistoria.com/MH_02_06_Marinha.htm

De Autor desconhecido - www.geneall.net/, Dominio público, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=19120484

 

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