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O sal da história

Crónicas da história. Aventuras, curiosidades, insólitos, ligações improváveis... Heróis, vilões, vítimas e cidadãos comuns, aqui transformados em protagonistas de outros tempos.

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Instantâneos (49): gigantes e sabonetes

ach brito na I exposicao colonial portuguesa.JPG

 


Em 1934, na I Exposição Colonial Portuguesa, uma das marcas nacionais mais conhecidas pensou em grande. Querendo destacar-se das demais apresentações de produtos daquele Portugal "do Minho a Timor", contratou um "gigante" que fez furor no certame. O regime queria ostentar todas as facetas do grande império português, os seus povos e paisagens, usos e costumes mas, contrariamente ao que se poderia pensar, dado o contexto, o elemento principal da apresentação da Ach. Brito não tinha origem em qualquer parte desse imenso território dividido por vários continentes., antes, tinha sido contratado na Alemanha.

A atração de que se fala era Heinrich Gleiser que, empoleirado numas andas que aumentavam a sua já considerável estatura e o erguiam a quatro metros acima do solo, percorria os jardins do Palácio de Cristal, divulgando os produtos da empresa portuense. A mesma companhia, aliás, também tratou de mostrar portentosas reproduções dos seus cheirosos sabonetes, com dimensão adequada ao "colosso" que os acompanhava e patrocinou autênticas "chuvas" perfumadas, ao lançar sabonetes a uma multidão ávida de novidades e "borlas".
Distribuídos foram também cartões para mais tarde recordar (como o que aqui se reproduz), onde a Ach. Brito, para que não restassem dúvidas, apregoava a "maior e mais completa fábrica de sabonetes e perfumarias do País", revelando que o seu segredo é a "massa finíssima que se transforma com a maior facilidade e doçura em leve e abundante espuma", garantindo que, com tais predicados, a marca só podia "fabricar inalteravelmente bom e sempre melhor".

A longevidade e o sucesso alcançados até hoje parecem comprovar que, nessa longínqua exposição de 1934, a Ach. Brito falava verdade.

gabriel monjane.JPG

Pena que um outro gigante, esse legítimo e português – de Moçambique – só tivesse nascido dez anos após a iniciativa que aqui se relata. Gabriel Estêvão Monjane, media 2,65m, pesava 180 quilos e foi, no seu tempo, o homem mais alto do mundo. Na metrópole, onde chegou em 1969, causou grande curiosidade, apresentando-se em insólitos espetáculos onde a sua altura pouco usual era contemplada. Morreria cedo, vítima de um traumatismo resultante de uma queda, em 1989. Certamente, se já tivesse nascido no ano da I Exposição Colonial Portuguesa, teria sido o melhor embaixador da estratégia comercial da Ach. Brito e, simultaneamente, da imagem de um Portugal uno na sua diversidade, que o Estado Novo pretendia "vender".

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Fontes
Imagem
Arquivo Municipal do Porto
http://gisaweb.cm-porto.pt/
Cartão produzido pela Litografia do Bohão
Cota: D-EPH/A1-105

Industria Portuense de Sabonetes e Perfumaria – As Emblemáticas Fábricas
Claus & Schweder e Ach. Brito, de Sónia Couto. Disponível em https://www.academia.edu/35913773/Industria_Portuense_de_Sabonetes_e_Perfumaria_As_Emblemáticas_Fábricas_Claus_and_Schweder_e_Ach._Brito_-_só_texto


http://hemerotecadigital.cm-lisboa.pt/EFEMERIDES/exposicaocolonial/exposicaocolonial.htm

https://arquivos.rtp.pt/conteudos/gigante-de-manjacaze-regressa-a-mocambique/

Texto de Rui Ochôa: Setembro de 1989 A queda do gigante. Disponível em:

https://expresso.pt/blogues/blogue_um_olhar/setembro-de-1989-a-queda-do-gigante=f538929

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