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O sal da história

Crónicas da história. Aventuras, curiosidades, insólitos, ligações improváveis... Heróis, vilões, vítimas e cidadãos comuns, aqui transformados em protagonistas de outros tempos.

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Crónicas da história. Aventuras, curiosidades, insólitos, ligações improváveis... Heróis, vilões, vítimas e cidadãos comuns, aqui transformados em protagonistas de outros tempos.

Instantâneos (50): a década de 20 começou com o caos nas ruas de Portugal

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Os "loucos" anos 20 começaram, em Portugal, com uma boa dose de instabilidade, não mental, mas económica e política. A República tinha apenas uma década, mas revelava já graves problemas em manter-se. E, se hoje estranhamos geringonças governamentais, greves e manifestações que alteram rotinas, em 1920 essa problemática estava num outro patamar que atualmente se torna difícil de imaginar, pois não faltaram governos empossados e demissionários, ataques à bomba, atentados, tumultos e paralisações, que puseram os portugueses com os nervos em franja.

Com o humor possível pela passagem de um século sobre essa época difícil, se poderá dizer que as desordens nas ruas eram o pão nosso de cada dia....humor porque, na verdade, o que também não havia nesse tempo era pão que o povo sentisse segurança em comer, porque o quotidiano era marcado pela incerteza quanto ao aspeto, a composição, o sabor e o preço desse e de outros bens essenciais. Tal imprevisibilidade obrigou, aliás, a que o Estado decretasse, em março, preços fixos para o leite, o arroz, o azeite, a batata, o café e o cartão. No mês seguinte, estabeleceu-se um único tipo de pão, com o fim de acabar com falsificações e mistelas.

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Mas, há cem anos, a balbúrdia era geral: só presidentes do Ministério – o equivalente a Primeiro-Ministro - foram 10, com respetivas equipas que, como se pode facilmente depreender, não chegaram a aquecer a cadeira, nem equilibraram contas ou promoveram a paz social.

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Naquele primeiro ano da década de 20 do século passado, as paralisações foram uma constante, tendo-se assistido a uma greve geral e pelo menos sete sectoriais: dos ferroviários, aos funcionários públicos; do pessoal dos arsenais, ao da Carris (na imagem os transportes alternativos); dos correios e telégrafos, à construção civil.

O caos era tal, que os nossos "aliados" britânicos até colocaram um navio a fazer exercícios com fogo real em frente ao Terreiro do Paço, como que a dizer para nos portarmos bem.

Temiam que as coisas descambassem de vez para uma revolução comunista, como a que se tinha visto três anos antes na Russia, ou então receavam que nunca mais lhes pagássemos a enorme dívida resultante da nossa participação na I Grande Guerra, que duplicou em 1920, atingindo os 50 milhões de escudos,

Felizmente, não precisámos da sua intervenção e, mesmo sem essa ajuda preciosa, lá conseguimos chegar ao fim do ano...amassados, mas independentes. A I República é que não chegou ao fim daquela década.

Fontes

www.fmsoares.pt/aeb/crono/ano.php?ano=1920

https://pt.wikipedia.org/wiki/Primeira_República_Portuguesa

https://www.publico.pt/2014/09/04/culturaipsilon/noticia/os-72-navios-alemaes-que-levaram-a-entrada-de-portugal-na-grande-guerra-1668548

Imagens (todas de 1920)
Arquivo Fotográfico Municipal de Lisboa

Documento:
PT/AMLSB/EFC/000574
PT/AMLSB/EFC/000019
PT/AMLSB/EFC/002119

2 comentários

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    CV 09.01.2020

    Obrigada por comentar.
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