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O sal da história

Crónicas da história. Aventuras, curiosidades, insólitos, ligações improváveis... Heróis, vilões, vítimas e cidadãos comuns, aqui transformados em protagonistas de outros tempos.

O sal da história

Crónicas da história. Aventuras, curiosidades, insólitos, ligações improváveis... Heróis, vilões, vítimas e cidadãos comuns, aqui transformados em protagonistas de outros tempos.

Instantâneos: a chegada do “leão de Gaza” à capital do Império

 

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13 de março de 1896. Chegam ao Tejo os gloriosos expedicionários de Infantaria 2 que, a bordo do navio África, trazem o supremo troféu: Gungunhana, o “leão de Gaza”, o rei que durante anos dominou uma importante parte do território de Moçambique, agora manietado, humilhado e submisso, face ao poder colonizador.

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 Milhares de pessoas apinham-se junto ao arsenal da Marinha e em pequenas embarcações, em pleno rio. Espreitam por entre os muitos engravatados que seguem com o grupo de africanos. Querem ver a chegada dos ilustres prisioneiros. Gungunhana e o seu séquito, incluindo várias das suas mulheres e filhos, transportados a terra pelo vapor Trafaria, pisam solo lisboeta às 3 horas da tarde, ele apoiado no inseparável bordão, todos enrolados em mantas, panejamentos tradicionais, com um ar intrigado, cansado, mais que temeroso.

Muita gente também no percurso até ao Forte de Monsanto, onde já existiam celas prontas para acomodar o grupo.

0001_M_13.jpgCom a prisão do líder dos vátuas, trazido para a metrópole e convertido em atração popular, Portugal “matava dois coelhos de uma cajadada”, mostrava, dentro e fora de portas, – em especial junto das outras potências sequiosas das possessões portuguesas - que era dono e senhor dos seus territórios e dava idêntico recado a outras tribos potencialmente rebeldes.

O “rei” deposto viverá uma década em cativeiro, na Ilha terceira, nos Açores, sobrevivendo quatro anos ao seu captor, Mouzinho de Albuquerque. Gungunhana morreu em 23 de dezembro de 1906 e os seus restos mortais regressaram a Moçambique em 1985, para ser sepultado com as honras devidas a um herói nacional.

 

Fontes

Imagens

Arquivo Fotográfico Municipal de Lisboa

 

http://arquivomunicipal.cm-lisboa.pt/pt/

José Chaves Cruz

PT/AMLSB/CMLSBAH/PCSP/004/CRU/000202

PT/AMLSB/CMLSBAH/PCSP/004/CRU/000201

PT/AMLSB/CMLSBAH/PCSP/004/CRU/000198

Fontes

Biblioteca Nacional Digital

http://purl.pt/

Diário Ilustrado

25º ano, nº 8:255 - 14 março de 1896

25º ano, nº 8:256 - 15 março de 1896

http://www.fmsoares.pt/aeb/crono/biografias?registo=Gungunhana

2 comentários

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    Anónimo 26.02.2018

    Eu é que agradeço o comentário. E sim, toda aquela zona está muito diferente.
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