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O sal da história

Crónicas da história. Aventuras, curiosidades, insólitos, ligações improváveis... Heróis, vilões, vítimas e cidadãos comuns, aqui transformados em protagonistas de outros tempos.

O sal da história

Crónicas da história. Aventuras, curiosidades, insólitos, ligações improváveis... Heróis, vilões, vítimas e cidadãos comuns, aqui transformados em protagonistas de outros tempos.

Instantâneos (39): pelotiqueiros, entre o cientista e o ilusionista

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Misto de prestidigitador e de cientista; de ilusionista e de médico; de mago e charlatão; vendedor de sonhos e facilitador de soluções. Assim eram os pelotiqueiros, que montavam as suas bancas em zonas estratégicas da cidade de Lisboa, por vezes mais do que um disputando a mesma praça. A “atuação” começava sempre da mesma forma: o retinir de uma campainha despertava o interesse dos passantes, que se reuniam em torno de quem assim se anunciava. Depois, a rua transformava-se em palco e tudo podia acontecer.

pelotiqueiros2-3.jpgO homem – eram maioritariamente homens, estes “profetas” do início do século XX, mas também havia mulheres (na imagem) – começava invariavelmente a sua exibição com um número de “magia”, que deixava a assistência presa aos seus movimentos: jogos com cartas, desaparição, malabarismo e “levitação” de objetos ou qualquer outro truque que a imaginação fosse capaz de conceber.


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Se, na etapa anterior, o êxito dependia da agilidade de mãos, na seguinte, tudo se jogava nos dons de oratória.

Fisgada a atenção da potencial clientela – mas também de muitos mirones de palmo e meio - o senhor dava a conhecer a sua faceta de “vendedor da banha da cobra”.

Ele garantia-se detentor de conhecimentos preciosos sobre a saúde humana e as doenças que podem atacar o cidadão comum, vendendo a cura para essas maleitas e, em alguns casos, propondo-se a extirpá-las pela raiz, logo ali, como se faz a um dente cariado. Sim, também havia entre estes “clínicos” ambulantes os versados em arrancar dentes, verrugas, calos…

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As suas pequenas "secretárias" desmontáveis, autênticos consultórios portáteis, tinham frascos e frasquinhos, caixas, saquetas, cadinhos e medidores, servindo de apoio ao púlpito imaginário de onde estes verdadeiros conhecedores dos males da humanidade botavam discurso sobre os seus dotes para curar os incómodos alheios.

Habitualmente, tão doutas pessoas tinham adquirido esse saber em locais longínquos, de onde também vieram os estranhos mas infalíveis produtos que cediam mediante pagamento.


O objetivo era impingir essa pomada que trata desde reumatismo a problemas de pele; esse elixir que até ressuscitaria os mortos - se estes pudessem ressuscitar - o xarope que tanto sana os desaires do estômago, como os do coração; ou o pozinhos de perlimpimpim que servem tanto para as dores, como para lavar o dentes.

E, quem não acredita nestes verdadeiros portentos, é porque é ignorante e ainda não viu “a luz”.


Findas as transações, os pelotiqueiros levantam o aparato e vão procurar fregueses para outro lado, de preferência sem concorrência de obreiros do mesmo “ofício”.

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Fontes
Hemeroteca Digital de Lisboa
Illustração Portugueza
Nº224; 6 junho 1910
http://hemerotecadigital.cm-lisboa.pt/

Imagens
Arquivo Municipal de Lisboa
http://arquivomunicipal.cm-lisboa.pt/pt/
Joshua Benoliel
PT/AMLSB/CMLSBAH/PCSP/004/JBN/000133
PT/AMLSB/CMLSBAH/PCSP/004/JBN/002568
PT/AMLSB/CMLSBAH/PCSP/004/JBN/000132
PT/AMLSB/CMLSBAH/PCSP/004/JBN/000788
PT/AMLSB/CMLSBAH/PCSP/004/JBN/001135

 

 

 

 

 

 

2 comentários

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    CV 01.07.2019

    Eu já não conheci este tipo de "fauna", mas tenho pena. Obrigada!
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