Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

O sal da história

Crónicas da história. Aventuras, curiosidades, insólitos, ligações improváveis... Heróis, vilões, vítimas e cidadãos comuns, aqui transformados em protagonistas de outros tempos.

O sal da história

Crónicas da história. Aventuras, curiosidades, insólitos, ligações improváveis... Heróis, vilões, vítimas e cidadãos comuns, aqui transformados em protagonistas de outros tempos.

Instantâneos (62): tango e chá no zoo

tango grupo dancante.PNG

 

tango par.PNG

Começavam a medo, ensaiando os passos daquela música estranha que era a sensação do momento. Nos “loucos” anos 20, o tango assumiu-se como a grande moda. Todos o queriam dançar, em toda a parte e a qualquer hora. Em Lisboa, a gente mais chique reunia-se para sessões onde a cadência sensual vinda do outro lado do oceano se misturava com o sabor de bebidas também oriundas de paragens distantes. Todos queriam ir ao Chá-Tango do Jardim Zoológico.
Os compassos que ansiavam aprender a acompanhar permitiam uma proximidade entre homem e mulher que inicialmente provocou o escândalo dos puritanos e uma enorme excitação em todos os outros. Talvez por isso, nestes encontros no zoo, onde o chá era o mote, rapidamente começou a ser servido também o chocolate, mais condicente com os quentes movimentos dos pares, com avanços e recuos, hesitações e requebros sensuais.

 

tango grupo 2.PNG

 

As senhoras expunham os seus mais recentes vestidos. Sapato alto e chapéus elegantes contribuíam para a harmonia da toilette, imitando, dento do possível, os modelos emanados das tendências internacionais.

 

 

tango senhoras e menino.PNG

Árvores frondosas proporcionavam a necessária sombra, naquele verão de 1920. Famílias inteiras reuniam-se em mesas criteriosamente distribuídas em torno de um enorme estrado onde tudo acontecia.

À vista de todos, trocavam-se olhares, gestos, toques, que perduravam na memória dos que rodopiavam, tornando ainda mais inesquecíveis os ritmos ouvidos.


O tango argentino, nascido de uma explosiva mistura de culturas, estava resgatado da sargeta, saltando dos prostíbulos de Buenos Aires para os recintos exclusivos dos que apreciavam tal “modernidade” e ousadia. O que tinha nascido para entreter os homens – muitos emigrantes de diversas nacionalidades - que esperavam vez à porta dos bordeis, era agora – embora com relutância inicial – acolhido por gente dita séria e ciente das suas reputações.

 

O tango estava assim redimido do pecado inicial, de que os seus novos dançarinos talvez nem tivessem ouvido falar.

tango grupo.PNG

 


Fontes
Hemeroteca Municipal Digital de Lisboa
hemerotecadigital.cm-lisboa.pt

Illustração Portugueza
Série II; nº752 – 19 julho 1920

https://www.infoescola.com/musica/tango/
https://www.historiadomundo.com.br/idade-contemporanea/historia-do-tango.htm

 

9 comentários

  • Imagem de perfil

    CV 05.07.2020

    Olá!!! Confesso que me lembrei de vocês quando escrevi este post, porque já tinham manifestado especial interesse na história do Jardim Zoológico. Mas, lamento, não consegui saber mais nada, para além de que, de facto, tudo se passa na zona das "Laranjeiras". O que consultei nada diz sobre a localização exata no recinto. Fui à procura de mais jornais de época, mas não encontrei mais referências a estes eventos, nem tenho mais imagens pata além destas, Usei todas as que tinha. São da Illustração Portugueza
  • Imagem de perfil

    mitologia 06.07.2020

    Hum... o grande problema é que hoje apenas existem alguns edifícios mouriscos no recinto do Zoo, mas não sabemos é se já terão existido outros que, entretanto, foram sendo destruídos. Acreditando que isso não aconteceu, este palco estaria então, mais ou menos, na zona em que hoje existe um coreto. E isso faz sentido, quer dizer, que um tipo de palco fosse sendo substituído por outro, como que actualizado...

    Mas deixamos também uma dica para um possível post - indo ao Zoo, mais ou menos esta zona do coreto, existe um banco de jardim muito especial. Parte da sua história até está escrita no local, mas o que nos fascina é... então e o resto? O que mais aconteceu, além do que está lá escrito? Se um dia destes passar por lá, fica essa questão...
  • Imagem de perfil

    CV 07.07.2020

    Penso que a dedução que faz sobre a localização do estrado e a permanência desse espaço como local de espetáculos tem toda a lógica. Quanto ao banco, fico com muita curiosidade. Fico com vontade acrescida de ir ao Jardim Zoológico o quanto antes. O que será???
  • Imagem de perfil

    mitologia 12.07.2020

    Não podemos fazer "spoilers", mas está lá uma pequena história escrita; é perto do local que dissemos, antes sequer das bilheteiras, do lado direito. O grande problema é que a história está muito incompleta, pelo menos na forma apresentada lá, e deixa muitas perguntas por responder...
  • Imagem de perfil

    CV 13.07.2020

    Vai obrigar-me a ir ao Jardim Zoológico? É acessível pelo exterior, sem passar nas bilheteiras?
  • Imagem de perfil

    mitologia 13.07.2020

    Não é preciso pagar entrada, não. É antes das bilheteiras, do lado direito, há lá um banco de jardim que comemora uma visita que uma dada pessoa lá fez. O grande problema é que isso faz muito pouco sentido... deve, tem de, haver mais do que a história que lá está escrita. Presume-se que ninguém ande pelo mundo fora a colocar bancos comemorativos só porque sim, a não ser que naquela altura a presença de estrangeiros fosse tão invulgar que os comemorassem...
  • Imagem de perfil

    CV 15.07.2020

    A coisa promete...talvez lá dê um pulo este fim-de-semana. Fiquei mesmo curiosa!
  • Imagem de perfil

    mitologia 15.07.2020

    Cuidado é com o Covid-19 !
  • Comentar:

    Mais

    Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.