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O sal da história

Crónicas da história. Aventuras, curiosidades, insólitos, ligações improváveis... Heróis, vilões, vítimas e cidadãos comuns, aqui transformados em protagonistas de outros tempos.

O sal da história

Crónicas da história. Aventuras, curiosidades, insólitos, ligações improváveis... Heróis, vilões, vítimas e cidadãos comuns, aqui transformados em protagonistas de outros tempos.

Instantâneos (53): um barquinho, ligeiro andava...*

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Que lindas crianças loiras, com as cabeças cheias de caracolinhos, brincando como se navegassem à vela! Na popa está hasteada a bandeira que ostenta o escudo português do tempo da monarquia, o que nos leva a pensar que estes meninos vestidos de marujo devem ser importantes. Abastados já tínhamos percebido que seriam, porque raras crianças teriam, em épocas recuadas, possibilidade de ter à sua disposição tal aparato aqui retido para a posteridade.
Pois, nesta imagem, captada em 1868, estão os dois herdeiros da coroa portuguesa, o príncipe real D. Carlos e o infante D. Afonso, respetivamente com cinco e com três anos de idade. D. Carlos, o nosso penúltimo rei, olha fixamente a câmara, agarrado ao mastro, enquanto D. Afonso parece pouco à vontade.
O tempo viria a mostrar que, enquanto o primeiro devotou parte da sua vida ao mar, possuindo várias embarcações, de meros botes a navios de investigação; o segundo viria a sentir-se mais à vontade ao volante de um automóvel.
A imagem foi captada no Palácio da Ajuda, residência da família real durante este período e berço de ambos.

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D. Carlos (ao lado, remando na sua baleeira, em Cascais) foi rei durante 18 tumultuosos anos. Era um navegador entusiasta e competente; investigador pioneiro na área da oceanografia – fundou o Aquário Vasco da Gama - atirador exímio, diplomata eficaz, culto e artista ...mas não conseguiu governar com a competência exigida por tempos tão conturbados e exigentes dos pontos de vista económico e político.

O seu reinado terminou da pior maneira, ao ser assassinado em 1 de fevereiro de 1908.

 

 

 

D. Afonso seguiu a vida destinada aos que não são herdeiros diretos do trono. Por inerência, Duque do Porto, Condestável de Portugal, governador e vice-rei (o último) da Índia, seguiu a carreira militar, na arma de artilharia. Barcos, nem vê-los!

 

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*O barquinho
Um barquinho ligeiro andava,
ligeirinho andava no mar,
A nuvem passou,
O mar se agitou

E o vento a soprar
E os barcos a virar
Vem a onda baloiça o barquinho
e o barquinho faz chape no mar 
Faz chape no mar!

…..........

Já aqui antes falei dos atributos de D. Carlos:
Instantâneos (48): à martelada
Instantâneos (35): o ténis real

 

Todas as peripécias da visita de Eduardo VII a Portugal

Quando o príncipe português casou


E de D. Afonso

(29) Instantâneos: a visita marítima de D. Afonso e suas borboletas

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Fontes

Museu de Marinha – Arquivo
https://museudigital.marinha.pt/pesquisa

FundoHenrique Maufroy de Seixas
PT/MM/CF/056-002/08598
PT/MM/CF/056-002/08484

http://www.arqnet.pt/portal/portugal/temashistoria/carlos1.html
https://pt.wikipedia.org/wiki/Afonso_de_Bragança,_Duque_do_Porto


http://cantosdaterra.net/ct/site/letras/letra.asp?id=1108

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