Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

O sal da história

Crónicas da história. Aventuras, curiosidades, insólitos, ligações improváveis... Heróis, vilões, vítimas e cidadãos comuns, aqui transformados em protagonistas de outros tempos.

O sal da história

Crónicas da história. Aventuras, curiosidades, insólitos, ligações improváveis... Heróis, vilões, vítimas e cidadãos comuns, aqui transformados em protagonistas de outros tempos.

O rei que amava freiras, proibiu a sua vinda para o País

0.jpg

 Com muito conhecimento de causa, o monarca alertava que as mulheres obrigadas a ingressar em conventos viviam para sempre desgostosas com essa vida imposta pelas famílias.

 

São conhecidos os dotes de D. João V para a diplomacia, os seus esforços para defender os interesses imperiais portugueses; a dinamização que imprimiu às artes e às grandes obras públicas, bem como a forma hábil como conseguiu reinar 43 anos, absolutamente, sem uma única vez ter reunido as cortes. No campo pessoal, ficou para a história a sua paixão pelo “belo sexo” em geral e por freiras em particular. É, pois, curioso, que os interesses do Estado o tenham feito assinar uma lei na qual, pura e simplesmente, proíbe a deslocação do Brasil para Portugal de mulheres, especialmente as destinadas aos conventos, sem que isso fosse prévia e expressamente autorizado por si.

O escasso povoamento daquele vasto território do outro lado do Atlântico a isso obrigou, o que muito terá custado ao rei, confesso amante de monjas, mas também sobejamente conhecedor da falta de vocação de muitas. A experiência íntima poderá até ter contribuído para esta sua decisão.

Foi em 10 de março de 1732. D. João, quinto de seu nome, proibia a viagem de mulheres para a metrópole sob o pretexto de ingressarem em conventos. Primeiro deveriam justificar tal vinda e se, de facto, tinham genuína vontade de seguir a vida religiosa.

É que, com tanta fêmea a transferir-se para Portugal, faltavam depois para os matrimónios que convinha aumentar no Brasil, o que concorria para “grande prejuízo do aumento e povoação daquele Estado”. Em paralelo, continua o real decreto, com muito conhecimento de causa – acrescente-se - as raparigas que assim procediam, frequentemente, “violentadas por seus pais e mães, constrangendo-lhes as vontades que deviam ser livres de elegerem estado” - leia-se serem religiosas ou encontrarem marido para casar - acabavam por viver “sempre desgostosas com a vida, que não queriam tomar”, o que, opina o rei, não servia nem a Deus, nem a ele próprio.

Assim sendo, as candidatas a freiras deveriam ser interrogadas, para aferir do seu querer, não se deferindo a expedição das que não o manifestassem de viva voz. As mulheres que alegassem outras razões para vir para a capital do império também o deveriam devidamente justificar, sob pena de não o poderem fazer.

Incorriam em penalizações, inclusivamente, os mestres ou capitães de navios que fizessem o transporte de moças não autorizadas a zarpar do Brasil. Podendo pagar dois mil cruzados por cada transportada e estar dois meses presos no seguimento de contrariarem estas ordens.

Este alvará régio, bem como a massiva emigração de portugueses – especialmente minhotos – contribuiu para que, durante o reinado de D. João V, a população daquele território quadruplicasse, chegando a cerca de 1.2 milhões de pessoas. Esta realidade, muito bem-vinda e necessária para assegurar a soberania além-mar, acabaria por criar problemas de despovoamento da própria metrópole, em especial no norte de Portugal, onde faltavam braços para trabalhar os campos.

 

 

À margem

16900306_PK4Hh.jpg

João V teve pelo menos 12 filhos, em igual número dentro do casamento com Maria Ana de Áustria e, fora dele, com outras mulheres. Reconheceu e concedeu especiais privilégios a três destes rebentos extraconjugais, que ficaram para a história como os “meninos de Palhavã” – porque foram criados no palácio de Palhavã, atualmente ocupado pela embaixada de Espanha, em Lisboa. António, Gaspar e José de Bragança. Seguiram a vida religiosa e o último, filho da conhecida freira de Odivelas, Madre Paula, chegou a inquisidor-mor do reino. Repousam na igreja de São Vicente de Fora, em Lisboa, à parte do espaço dedicado a panteão dos Bragança, assim como que a lembrar que, embora legitimados pelo pai, não eram bem membros da família. Bastardos para a eternidade, portanto.

Mas isso é outra história…

 

 

Fontes

Collecção da legislação antiga e moderna do reino de Portugal Parte II da legislação moderna – Collecção chronologica de Leis extravagantes, posteriores à nova compilação das ordenações do reino, publicadas em 1603 – Tom II de LL., ALVV., etc – Que compreende os reinados dos senhores D. Affonso VI, D. Pedro II e D. João V – Coimbra, na Real Imprensa da Universidade, 1819 https://books.google.es/books?id=SK9RAAAAcAAJ&printsec=frontcover&hl=pt-PT&source=gbs_ge_summary_r&cad=0#v=onepage&q&f=false

https://www.infopedia.pt/$d.-joao-v

https://www.publico.pt/2013/04/21/jornal/eles-eram-os-meninos-de-palhava-26373863

https://pt.wikipedia.org/wiki/João_V_de_Portugal

http://www.museudelisboa.pt/pecas/detalhe/news/retrato-de-d-joao-v.html

https://www.bing.com/images/search?view=detailV2&ccid=NgBZILDq&id=0185C6E618CB122BADCDF0C57569FE68290FF10D&thid=OIP.NgBZILDqZ2e95qMPpK_4DgEsDW&q=pante%c3%a3o+dos+bragan%c3%a7a&simid=608026560623804487&selectedindex=10&first=1

 

 

 

5 comentários

  • Imagem de perfil

    CV 11.05.2020

    Caro João, agradeço o testemunho. Parece que o seu 9o avô paterno, que tinha sobrenome e ADN, também foi obter algo que pertencia ao irmão. Talvez tivesse sido o melhor para o país, mas não foi bonito. Obrigada.
  • Sem imagem de perfil

    João 11.05.2020

    Não entendi, o 9 avô paterno teve um dos irmãos, o Afonso VI e deste que se deve estar a referir, mas não sei a que história de D. Pedro II fez ao irmão. Desconheço se me elucidar , este o Pedro II era para ter direito sucessório sobre Espanha por sangue, tal seja isto que se refere !

    DelRey D. Pedro II do nome, Vigesimo Rey dt Ported, domado Pacifico , e defeu governo, em quant Prnape Bfgettte.

    FOy o Infante D. Pedro tefceirfr filhodelRerD. Joao o IV. Nasceo em Llsbba a 16 de Abril de 1648, compoZ-lhe leu Pay decentd estado, dando-lhe com outras terras o Ducado dc Beji Deposto do Throno por justissimas caufas JLlR.eyseaImu6, soy jurado Principe Regente em 17 de Janeiro de 1660.

    No primeiro de Novembro de 1700 monco « Madrid sem suecessaõ Carlos II de Espanha, òm«àc nomeado em seu Testamento por Successor de seus Eâidos a Fílippe de Franqa, Duque de Anjou, seu Sobnnho, Neto do Grande Luiz XIV. Tinha neíle tempo £íRcy D. Pedro feito hum Tratado de Alvanq* offetvswji, c defensiva com Franqa, e Espanha; porém seguindo c: o partido da Casa de Austria , fez outro Tratado fetv ihante com os Aliados inimigos daquellas duas Cotw mostrando os interesses deste Reino inspirados pelos ministros de Alemanha, Inglaterra, e Olanda, quanto, era conveniente a amizade daqueíla Augustiííimj Casa, tempo, que tinha assustado de tal sorte 2 roda Europi o Testamento de Carlos II, que cada hum de seus Piiacipes considerava, a quem seguiria para a cot\ícnaca5 &c seus Estados.

    Reclamou Leopoldo I o dito Testamento corst mayor parte dos Príncipes do Império, fazendo bumfa ostensiva , a que chamára6 da Grande yíliaaça , coi nglaterra, e Olanda, em que entrou depoisSaberá metterem de posse da Coroa de Espanha ao Ar. que Cario*, coroando-o ao mesmo tempo cm Vienna R daquelles Reinos, e elegendo a Portugal para rheátx> ta formidável disputa. Obrigou-se EIRey D. Pedro

    Agora não sei qual foi a história a que se refere.
  • Sem imagem de perfil

    João 11.05.2020

    Aqui entra em cena o Leopoldo I da Austria pediu ao D. João V que ele o ajudasse em numa situação que fosse padrinho para resolver uma disputa em Fez, agora registos.

    Registo 1

    Augustales cunæ serenissimi archi-ducis Austriæ ... Leopoldi Joannis ...
    Baptjllgc Rex Portugalliae Joannes V. idem Sereniflimi Neo-Nati Patrinus, de Huumè manu lava. fchedialina tenens cum infcr'iptis Nominibus Baptizati

    Registo 2 - Deve se referir a isto, imagino !

    Huic fucçellit Alphonfus VI. mortuus anno 1683. atque Alphonfo Petrus II. qui e vivis migra, vit anno 1706, V. Idus Decembris ( 1 )

    Registo 3 - relativo às guerras com Fez e do casamento do Infante João com a filha de Buhazon V

    Letra do século xvu.
    OUTRA que o Grão Turco, Mahomet, escreveu ao Imperador Leopoldo declarando-lhe guerra. Andronopla, 20 de fevereiro de 1683.
    RESPOSTA do Imperador. Sem data.
    Cod. —íí— a fl. 2—i6

    Ambas por copia de letra do século xvm.
    CARTA de El-Rey de Mequinez a D. Pedro II, para lhe dar Mazagâo e um mouro, em 1690. Cod. ——— a pac. 467. 8 pasiaas, 4.° 1—18 l ° l °'

    Copia (cm hespanhot). OUTRA do mesmo para o mesmo em 13 de outubro de 1706. Cod. —— a fl. 885. Cod. —— a fl. 888. 1—s 1—6

    Anda impressa na Historia geneatogica, tumo 5.° das Provas, a pag. 81.

    OUTRA do mesmo para D. Joào V.
    Versão portugueza em certidão passada por Vicente Francisco Cardoso, escrivão do Resgate Geral de Mequinez, em 26 de janeiro de 1729.
    Cod. N.° 8. 1—8
    RESPOSTA que o Imperador de Marrocos mandou ao governador de Mazagão (traduzida pelo alcaide de Azamor).
    Feita a 29 da Lua d'Agosto de 1088 da Egira (1677 de Christo).
    Cod. a fl. 871. 1—8
    Copia de letra do século xvn. CARTA que o Imperador de Marrocos Muley Amet escreveu a D. João V. RESPOSTA de D. Joào V.
    Cod. a fl. 887 V. 1—8 Copias de letra do sécuto xvm.
    CARTA do Imperador de Marrocos a D. Joào V. Safer anno 1120 da Hegira (1708 de Christo).

    Deixo lhe alguns exemplos dos livros, dos assuntos que trago, como podia mencionar de Nuremberg a D. Pedro II, do casamento de Infante João

    Beschreibung von Fez und Marocco. (Addison. Description de Fez et du Maroc.) Nürnberg. 2 vol. in-12. 1672
  • Sem imagem de perfil

    João 11.05.2020

    Cara Senhora Cristiana Vargas, a verdade existe, só que está escondida e vou postando alguma coisa para abrir as mentes das pessoas.

    E na pagina 300, mostra quem sucede a João IV, Pedro II, Joao V e Josephus I de Portugal e não menciona nenhuma Anna d´Austria.

    HISTORIC

    ECCLESIASTICS BREVIARIUM A MÜNDI REPARATIONE
    KUSQUE AD ANNUM MDССIX

    Pagina 265 temos a Anna casada com Louis XIII pai de Louis XIV

    Agebat Henricut annum \j. parricida autem die vj. ejufdem mends iffeftus fupp!icio natus erat annorum », Cor Regit ad Collegium Jífuiurum tianslaturn fuit ignus filius Ludovici XIII. & Anna d´ Auftriacae qui obih die I. Septembris anno 1715- In Hifpania poft Philippum III. vita funclumanno 1621, regnarunt Philippus IV. ejus filius ufque ad annum 1665. deinde Carolus II. qui abíijue liberis deceífit Cal. Novembris anno 1700. conftituto tabulis Teftamentariis herede Philippe Borborito duce Andçgavenfi

    João
  • Comentar:

    Mais

    Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.