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O sal da história

Crónicas da história. Aventuras, curiosidades, insólitos, ligações improváveis... Heróis, vilões, vítimas e cidadãos comuns, aqui transformados em protagonistas de outros tempos.

O sal da história

Crónicas da história. Aventuras, curiosidades, insólitos, ligações improváveis... Heróis, vilões, vítimas e cidadãos comuns, aqui transformados em protagonistas de outros tempos.

Pela imprensa (15): alguém tem um fósforo?

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Estes tempos de incerteza quanto à disponibilidade de combustíveis, nomeadamente de gasolina, talvez não sejam os melhores para experimentar esta que era a “última invenção norte-americana” em termos energéticos, corria o ano de 1913. O aparelho, que parece não ter tido muito sucesso, seria uma espécie de gerador primitivo, aparentemente portátil, que permitia facilmente que se obtivesse luz equivalente à emanada de 500 velas. Um estrondo!
Esta iluminação a gasolina pretenderia ser uma concorrente da iluminação a gás, que naqueles tempos era o mais comum em espaços públicos, e da energia elétrica, que começava então a apresentar-se como melhor opção sobre a anterior, embora essas modernisses se limitassem às grandes cidades e o resto da paisagem continuasse genericamente às escuras.
A tecnologia não deve ter vingado, apesar das vantagens aparentes: facilidade de utilização - apenas com um fósforo - e economia - consumia só um litro de gasolina em 24 horas. O nome, em inglês, também era sugestivo: Wizard, o que, para os (poucos) que entendessem a língua, remeteria para algo mágico e, portanto, fascinante.
O representante em poprtugal era a grande casa A Paraizo, Pereira e Cª, que ocupava os números 72 a 82 na avenida Sá da Bandeira, em Coimbra. Na época, a empresa procurava vendedores em todos os concelhos, como forma de divulgar e assim melhor vender a ideia e o produto. Dada a escassez de informação, não terá tido muita sorte nesses planos. 
Em Portugal, no início do século XX, não existia, nem sequer estava em projeto, uma rede nacional de fornecimento de energia elétrica. Paulatinamente, foram surgindo pequenas explorações, sobretudo termoelétricas, a nível local. Em 1926 são dados os primeiros passos na eletrificação do País, com a Lei dos Aproveitamentos Hidráulicos e subsequente criação da Administração Geral dos Serviços Hidráulicos e Elétricos. Uma década depois, é criada a Junta de Eletrificação Nacional, no âmbito do Ministério das Obras Públicas e Comunicações. Entre as metas a atingir com este organismo estava a execução de uma rede elétrica nacional, que começou a ser concretizada com base na construção de grandes barragens, que marcaram o rumo do país em termos de energia elétrica até aos anos 60.

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Fontes
Hemeroteca Digital de Lisboa
http://hemerotecadigital.cm-lisboa.pt/
Illustração Portugueza
Nº 319, 11 ago. 1913

Para uma análise do tema eletricidade
na revista da Associação dos Engenheiros Civis Portugueses (1870-1945), de Cláudio Amaral; CEM nº2 – Cultura Espaço e memória. Disponível em https://ler.letras.up.pt/uploads/ficheiros/10426.pdf

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