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O sal da história

Crónicas da história. Aventuras, curiosidades, insólitos, ligações improváveis... Heróis, vilões, vítimas e cidadãos comuns, aqui transformados em protagonistas de outros tempos.

O sal da história

Crónicas da história. Aventuras, curiosidades, insólitos, ligações improváveis... Heróis, vilões, vítimas e cidadãos comuns, aqui transformados em protagonistas de outros tempos.

Pela imprensa (10): quem tem uma Clement tem tudo

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Desista das marcas brancas das grandes superfícies comerciais de desporto! Esqueça os veículos de duas rodas partilhados nas ruas das grandes cidades. Compre hoje mesmo uma Clement. Uma bicicleta de verdade, premiada desde o século XIX e a preferida de todas as classes sociais – clero, nobreza e povo. Já agora, abandone os calções de ciclista, mesmo os almofadados, e também não precisa de capacete. Para quê, se pode usar um belo conjunto de casaco com peplum – aquele folhinho abaixo da cintura - e saia comprida, tendo como cereja no topo do bolo um gracioso chapéu adornado com flores ou um vistoso laço? É natural que, assim engalanada, não consiga alcançar velocidades alucinantes, mas quem quer de acelerar, quando pode passear pachorrentamente?

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Afinal, não é todos os dias que se conduz uma bicicleta com reputação universal de nenhuma outra lhe chegar às rodas em termos de elegância, perfeição, leveza, rolamentos e preço. Para além do mais, é um veículo de confiança, capaz de suportar ciclistas de 140 quilos – que os há, muitos, por aí…!!! A juntar a todas estas vantagens, o representante – a Santos Beirão & Henrique, situada no Rossio – conserta gratuitamente as bicicletas que vende – o que me parece redundante, uma vez que raramente devem avariar – e facilita a aquisição com prestações mensais, que se supõe serem suaves.


A Clement é uma marca francesa que deu cartas no sector das bicicletas no inicio do século XX, mas este será até um dos menos vistosos dos seus anúncios, pois, para além da qualidade dos velocípedes, a Clement ficou conhecida pela sua espampanante publicidade.

Fundada por Adolphe Clement, com o dinheiro ganho como ciclista, passou de mera oficina de reparação (1876), em Bordéus, a loja e, posteriormente, fabricante de múltiplos modelos, em Marselha e depois Paris, atividade complementada com uma escola de condução e participação em competições.

O empreendedor Clement, que detinha os direitos dos pneus Dunlop em França, acabaria por se unir àquela marca para expandir o seu negócio, produzindo triciclos, quadriciclos e, mais tarde, até bicicletas motorizadas, motas e automóveis.

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Quanto à representante da marca, a Santos Beirão & Henriques Lda, conhecida como Casa Memória, foi, no nosso país, o terceiro estabelecimento e vender automóveis, ainda no final do século XIX e também comercializou as chamadas “bicicletas a vapor”. O primeiro exemplar chegou em 1895, para espanto da clientela que se aglomerava para assistir às demonstrações. Em 1902 já vendia automóveis Clement.

 

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Fontes
Hemeroteca Digital de Lisboa
http://hemerotecadigital.cm-lisboa.pt/
O tiro civil – Ano VI, nº180 – 15 fev. 1900

A implantação do automóvel em Portugal 1895-1910, de José Carlos Barros Rodrigues, Dissertação para obtenção do Grau de Doutor em História, Filosofia e Património da Ciência e da Tecnologia, Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, 2012. Disponível em https://run.unl.pt/bitstream/10362/9676/1/Rodrigues_2012.pdf


https://en.wikipedia.org/wiki/Cl%C3%A9ment_Cycles
Public Domain, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=11229973 Image proveniente trabalho gráfico sobre Adolphe Clément-Bayard, (French). Original presente no Museu Automóvel de Reims

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