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O sal da história

Crónicas da história. Aventuras, curiosidades, insólitos, ligações improváveis... Heróis, vilões, vítimas e cidadãos comuns, aqui transformados em protagonistas de outros tempos.

O sal da história

Crónicas da história. Aventuras, curiosidades, insólitos, ligações improváveis... Heróis, vilões, vítimas e cidadãos comuns, aqui transformados em protagonistas de outros tempos.

Quando a avenida Luísa Todi se transformou em pista de corridas

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As festas da cidade de Setúbal tiveram, em 1930, um brilhantismo especial. As iniciativas desportivas contaram com mais de 1200 atletas de todo o distrito e a presença do Presidente da República, mas as provas motorizadas foram a novidade mais excitante.

 

0001_Mluisatodi.jpgO ruído dos motores em aquecimento espevitava a curiosidade e aumentava o já enorme entusiasmo do público “para cima de 30 mil pessoas”, que se acotovelaram com horas de antecedência para conseguir os melhores lugares ao longo da avenida Luísa Todi, inclusivamente muitas senhoras, que conquistaram os espaços sentados na primeira fila. Não era para menos, o “Quilómetro de Arranque”, prova nunca vista por aquelas paragens, reuniu na principal artéria de Setúbal pilotos de automóveis e motocicletas em disputa pelos títulos de mais rápido – mas também de maior elegância!!! – e foi a grande atração das festas da cidade, em 1930.

Às quatro horas da tarde do dia 4 de agosto foi dada a partida. Dos 20 inscritos em automóvel, só 18 compareceram. Em causa estavam os troféus nas categorias Corrida e Sport, com direito a medalhas, taças e prémios em dinheiro. O júri estava reunido em frente ao Hotel Esperança.

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Disputava-se também o Concurso de Elegância, ganho pelo Renault (coupê de vile) do Conde de Fontalva, que foi igualmente juiz da corrida. O segundo mais elegante foi o Citroen (coupê de ville) de Adriano Moraes, seguido do Kiesel (Roadster Sport), de Domingos Saraiva.

Já na corrida, o primeiro lugar foi ganho por Henrique Lehrfeld, em Bugati, que “conseguiu obter 124 km e alguns metros”, relata o Jornal de Sports, afirmando ter aquele piloto sido “muito ovacionado”, após a “luta renhida” que travou com outro bólide da mesma marca, pilotado por Adalberto Marques.

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Em Sport, as velocidades máximas atingiram uns alucinantes 88 quilómetros/hora, do Isotta Fraschinni, de Luís de Lima Faleiro; seguido do Grahan Paige, de Manuel Queiroz, e do Kissel, de Ricardo Novais.

As motas arrancaram às 17 horas. Eram nove os concorrentes e a vitória foi para a Matchless, de Mouton Osório, que recebeu uma enorme aclamação do público.

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O regulamento das provas, havia sido publicado nos jornais nos dias anteriores, já que a participação era “nacional e aberta”, desde que os veículos e os pilotos cumprissem com os requisitos explicados. A taxa de inscrição era de 100 escudos, incluindo bilhete de transporte do automóvel nos vapores da Parceria Lisbonense, para a travessia do Tejo ou do Sado, presume-se.

Resta dizer que as provas motorizadas tiveram a organização técnica do Automóvel Clube de Portugal e o patrocínio do Diário de Notícias, que ofereceu uma taça de prata para o vencedor geral.

 

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À margem

estadio.JPGEm 1930, as festas da cidade de Setúbal foram especiais. Assinalava-se a chegada da luz elétrica àquela cidade e as comemorações espelhavam esse brilhantismo que os sadinos lhes queriam dar. Durante vários dias, o desporto foi o principal mote, com mais de 1200 atletas de clubes de todo o distrito**, que competiram em várias modalidades e desfilaram perante o chefe de Estado, Óscar Carmona, numa imponente parada "nunca vista em Portugal". Uma verdadeira “multidão de cores”, que encheu a avenida Luísa Todi, conta o Jornal de Sports. As iniciativas foram organizadas pela Comissão Central de Exposição e Festas de Inauguração da Energia Elétrica em Setúbal. O responsável pela subcomissão desportiva era Mário Ledo, que nas décadas seguintes seria figura-chave da iniciativa de construir aquele que viria a ser o estádio do Bonfim, casa do Vitória Futebol Clube.

Mas isso é outra história…

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*Um coupé de ville é/era um automóvel citadino em que a totalidade do habitáculo ou apenas o lugar do condutor é descapontável.

** O Distrito de Setúbal havia sido criado apenas quatro anos antes (1926), o que terá contribuído para o acrescido empenho nestas demonstrações de afirmação da coesão distrital.

 

 

Fontes

Biblioteca Municipal de Setúbal

Jornal de Sports

Ano I Nº 29 - 20 jul. 1930

Ano I Nº 30 - 3 ago. 1930

Ano I Nº 31 - 18 ago. 1930

 

https://vfc.pt/clube/historia/

https://en.wikipedia.org/wiki/Coupe_de_Ville

 

Imagens

Arquivo Fotográfico Municipal de Lisboa

http://arquivomunicipal2.cm-lisboa.pt/sala/online

PT/AMLSB/ANI/000062

PT/AMLSB/ANI/000064

PT/AMLSB/ANI/000066

PT/AMLSB/ANI/000067

PT/AMLSB/ANI/000070

 

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